O que começou com a customização de calças Levi's vintage se transformou na Atelier À-BASE, a marca de roupas sustentáveis de Berber Bloem, onde cada peça ganha uma nova vida e se torna atemporal. Nesta entrevista, ela fala sobre seu processo criativo, as escolhas que faz como jovem empreendedora e como transforma sua paixão por roupas em peças únicas, feitas à mão.
O que significa "ser ousada" para você pessoalmente? Para mim, ser ousada significa fazer o que me parece certo e no que acredito, sem dar muita importância à opinião dos outros. Quando você se sente mais poderosa? Acho importante cuidar bem de mim, tanto física quanto mentalmente. Quando faço isso, percebo que fico mais enérgica e criativa e, portanto, automaticamente mais forte. Como surgiu a Atelier À-Base e quais foram seus primeiros passos como jovem empreendedora? A Atelier À-BASE nasceu da paixão por roupas vintage de qualidade e alfaiataria. Comecei fazendo ajustes em calças jeans Levi's vintage e outras peças de denim, enquanto também trabalhava em um emprego de meio período. Certamente não foi sempre fácil; eu reinvestia todo o meu dinheiro no negócio, muitas vezes sobrando pouco para mim ou para me divertir. Mas percebi que quanto mais tempo eu dedicava, melhor ficava, então pedi demissão desse emprego e gradualmente expandi para uma marca de roupas completa. O que mais gosto em ser empreendedora é correr riscos, a liberdade, experimentar coisas novas e aprender. O que te atraiu na moda sustentável e vintage, e por que você escolheu desenhar e confeccionar tudo sozinha? Desde pequena, sempre estive ocupada desenhando e criando roupas. Também costumava ir a lojas de roupas vintage com a minha mãe, então definitivamente herdei a paixão por roupas vintage e qualidade. Aprendi a costurar em parte durante meus estudos: o curso da Jeans School International, e também pratiquei bastante depois. Meus estagiários e eu confeccionamos grande parte das roupas no ateliê em Amsterdã, e o que não temos tempo de fazer, preparamos e costuramos em outro ateliê na Holanda. Quais desafios você enfrentou ao criar uma marca de roupas sustentáveis — e como os superou? Como se trata de roupas vintage, cada peça é única, e você realmente considera o que precisa ser feito com cada uma individualmente. Isso significa que você repete o processo desde a confecção até o momento em que a peça é colocada à venda na loja virtual. Com uma marca que vende roupas novas, você naturalmente vende a mesma peça um certo número de vezes, então acaba gastando muito menos tempo com ela. O que você mais gosta ou considera mais desafiador no processo de dar uma nova vida a uma peça antiga? O desafio está em resolver as limitações de forma criativa e elegante; é justamente isso que torna o processo interessante, e o resultado continua surpreendendo a cada peça. Como você encontra o equilíbrio entre o vintage/design, a sustentabilidade e as tendências da moda, e como se mantém fiel à sua visão em um mundo da moda em constante transformação?


Acredito que seja importante não seguir tendências demais e, em vez disso, criar roupas que durem e sejam atemporais. Essa é a filosofia por trás do meu design. De qual peça da sua coleção você mais se orgulha até agora — e por quê? Acabei de criar uma nova peça, o "blazer com fivela", com a qual estou muito feliz. É uma jaqueta feita a partir dos blazers, mas com um tecido um pouco mais grosso. Tenho orgulho dela porque é uma solução para os blazers com um tecido um pouco mais grosso, e o design ficou ótimo e tem agradado bastante. Quem é uma mulher que você admira por sua coragem — e por quê? Não uma mulher, mas alguém que admiro: Virgil Abloh é alguém que admiro por sua coragem e que me inspira porque ele enxerga as coisas de forma diferente da maioria do mundo da moda convencional e combina diversos universos, como arquitetura, música, identidade e cultura. É assim que eu também vejo e uso a criatividade. Que conselho você daria para mulheres que sonham com mais, mas estão inseguras? Pense em como seria sua situação ideal e comece dando pequenos passos na direção certa. Às vezes, a ousadia está nos pequenos gestos. Qual foi uma pequena, mas corajosa decisão que você tomou recentemente? Mudei meu estúdio para Amsterdã há três meses, o que aumentou os custos, mas, para mim, foi um passo muito positivo.
Por fim: Qual é a sua peça de joalheria favorita da Eline Rosina? Minha joia favorita da Eline Rosina são os brincos de argola Rue, um brinco lindo, simples e clássico que combina com muita coisa. <3